sábado, 29 de dezembro de 2007

O HAVER

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio.
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.
Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.
Resta esse antigo respeito pela noite
esse falar baixo
essa mão que tateia antes de ter
esse medo de ferir tocando
essa forte mão de homem
cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade
essa economia de gestos
essa inércia cada vez maior diante do infinito
essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons
esse sentimento da matéria em repouso
essa angústia da simultaneidade do tempo
essa lenta decomposição poética
em busca de uma só vida
de uma só morte
um só Vinícius.
Resta esse coração queimando
como um círio numa catedral em ruínas
essa tristeza diante do cotidiano
ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada
passos que se perdem sem memória.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
essa imensa piedade de si mesmo
essa imensa piedade de sua inútil poesia
de sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
de pequenos absurdos
essa tola capacidade de rir à toa
esse ridículo desejo de ser útil
e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade,
essa vagueza de quem sabe que tudo já foi,
como será e virá a ser.
E ao mesmo tempo esse desejo de servir
essa contemporaneidade com o amanhã
dos que não tem ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar,
de transfigurar a realidade
dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é
e essa visão ampla dos acontecimentos
e essa impressionante e desnecessária presciência
e essa memória anterior de mundos inexistentes
e esse heroísmo estático
e essa pequenina luz indecifrável
a que às vezes os poetas tomam por esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
na busca desesperada de alguma porta
quem sabe inexistente
e essa coragem indizível diante do grande medo
e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer
dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
de refletir-se em olhares sem curiosidade, sem história.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho,
essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte
esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada,
ela virá me abrir a porta como uma velha amante
sem saber que é a minha mais nova namorada.

Composição: Vinicius de Moraes

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Quem sou?

Sou Idealista, perseverante, adoro complicar coisas simples é acredito que chegarei à meus objetivos, entretanto os vejo no topo de uma enorme montanha. Rio de piadas sem graça e adoro ficção cientifica. Gosto de filosofia, antropologia, cinema e musica. Tenho como meta profissional tornar-me um especialista em gestão de projetos e processos.

Não gosto de verdades absolutas e nem fatos incontestáveis. Não acredito no impossível e sei que os limites são coisas criadas por nos mesmo. Não me conformo com a derrota, entretanto, a enxergo como uma ótima oportunidade de aprendizagem. Luto com todas as forças contra o comodismo e os sentimentos pequenos e sei que só poderei vencê-los se admitir tê-los.

Vejo o amor como a maior riqueza que um homem pode possuir, por mais que suas escassez avance mais rápido que a dos combustíveis fósseis. Acredito na verdadeira amizade (por mais que seja rara) e tenho, poucos, mas verdadeiros amigos.

Sei que a riqueza não traz felicidade e mesmo assim tenho minhas ganâncias e ambições. Sei que os momentos inesquecíveis acontecem em frações de segundos que ecoam por toda a nossa vida. Tenho minha consciência como meu maior bem, por este motivo sempre me esforço, para fazer da melhor forma possível à tudo que sou delegado.

Próximo de completar 27 anos e a 6 meses de me formar na universidade me impressiono como tudo passou tão rápido. Guardo o gostinho de cada vitória, como quando dei a primeira volta na pracinha sem rodinha na bicicleta, como fiz amigos maravilhosos, quando descobri a filosofia, quando conheci e conquistei o meu grande amor, quando entrei para universidade e tantos outros momentos que levarei por toda a minha vida.

Hoje tenho certeza que a felicidade é algo interno, que não poderei encontrar em um grande best-seller vendido na Saraiva a R$ 19,99. Não vou desistir nem por um segundo de meus sonhar e quero chegar ao final deste mundo com a sensação de que mesmo sabendo que não tive tudo que sonhei, fiz o melhor que eu pude.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Pois bem, ai está

Pois bem, finalmente criei o meu blog. Mesmo sendo contras essas “cyber tendências”, optei por criar um espaço virtual onde poderei compartilhar alguns pensamentos e falar um pouco sobre minha vida e objetivos.

Vejo esta pagina como uma cápsula do tempo, onde poderei avaliar meus pensamentos no tempo é espaço e ver como é mutável esse ser que escreve nesse momento. Como diz Leonardo Boff “Numa palavra, eu diria que o ser humano é um projeto infinito. Um projeto que não encontra neste mundo o quadro para sua realização.”

Realização e a palavra que melhor consolida minha infinita busca, primeiro a realização intelectual, a base de toda saga, o inicio de todo herói, por mais longa que seja sua jornada. Realização profissional, onde o desafio seja constante, desenvolvendo trabalhos fora de minha zona de conforta, no momento onde ocorrem as grandes idéias e as grandes superações. Realização espiritual, saber os segredos do universo, dominando o alto conhecimento e vivendo com a cabeça erguida, sabendo que mesmo que não tenha chegado (ainda) até à vitória, fiz o meu melhor. É por ultimo mais não menos importante a realização material, que consiste na simplicidade de ser independente pode usufruir juntamente com minha companheira de uma confortável vida financeira.

"Só sei que nada sei", frase emblemática do ainda mais emblemático filósofo Grego, Sócrates, nunca esteve tão atual como nos dias que vivemos hoje. “No mundo em rápida mudança de nossos dias, a questão não é tanto o que você sabe, porque com freqüência o que você sabe já está ultrapassado.” (Robert T. Kiyosaki). Tento ter essas duas verdades como minhas guias. Tento olhar para as ocasiões sem verdades preconcebidas e luto contra meu ego para não me afirmar, em absoluta certeza, como os “grandes conhecedores”, pois desses pseudos sábios o mundo já está cheio. Sou nada mais que um grande aprendiz, apaixonada pelo desafio, de aprender um pouco mais a cada dia.

Se

"Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta."
Hermógenes